Com exposições, palestras sobre temas variados e intensa participação do público, teve início, na manhã desta terça-feira, 25, o II Fórum Paraense de Tecnologias Sociais, realizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com a Rede Paraense de Tecnologias Sociais (RTS/PA). O evento ocorre hoje e amanhã, 26 no Centur e no Auditório da Fiepa.
“Por que trabalhar Tecnologia Social?”. Com esta indagação, o titular da Secti, Claudio Ribeiro, deu início à sua fala, enfatizando a escolha do Governo do Pará em trabalhar com uma política destinada a dar alternativas para a população paraense viver de forma digna. “Não tem como permanecer num processo de desenvolvimento baseado no binômio ‘extrativismo-exportação’. Por isso, a Secti, junto à RTS, assumiu o compromisso de promover a melhoria da qualidade de vida da população, difundindo o conhecimento e incentivando ações efetivas que aliam tecnologia às demandas sociais. Com esse Fórum, queremos agregar mais pessoas para a Rede e avançar na obtenção de resultados”, ressaltou o secretário.
O pesquisador da Unicamp, Renato Dagnino, abriu a Conferência Magna discorrendo sobre conceitos ligados à tecnociência e à Tecnologia Social, apresentando distintas concepções e criticando conceitos convencionais. Ele se disse impressionado em saber que existe no Pará um interesse grande pela temática da Tecnologia Social. “Encontrei aqui um governo preocupado em consolidar uma política centrada na TS. É surpreendente saber que os gestores públicos estão vendo a TS como uma saída para a exclusão social. Precisamos que os pesquisadores também se sensibilizem para a importância da questão”, enfatizou.
Thomas Mitschein, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), deu prosseguimento à conferência, argumentando que o Brasil dificilmente se reorganizará e se desenvolverá em todos os sentidos se não adotar uma nova perspectiva político-econômica, pautada pela valorização da sua biodiversidade em benefício da população, com atenção especial à Amazônia. “Nesse sentido, a questão da Tecnologia Social se torna um referencial importante para a geração de alternativas e para a redução desta escandalosa desigualdade social que marca a sociedade amazônica”, afirmou.
Agricultura Familiar - A programação vespertina do II Fórum contou com dois seminários: o de Políticas Públicas de Inclusão e Cultura Digital e o Seminário de Tecnologias Sociais e Agricultura Familiar na Amazônia. Este último foi aberto pela palestra “Tecnologias Sociais e políticas públicas na Agricultura Familiar”, proferida pelo técnico da Emater, Raimundo Nonato Ribeiro. Na ocasião, foram abordadas as políticas públicas para a Agricultura Familiar e os desafios encontrados no Pará para promover o desenvolvimento rural sustentável. A palestra foi sucedida por um debate envolvendo o público e representantes de instituições ligadas ao setor, como Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural da UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Associação de Produtores Orgânicos do Pará.
O painel “Tecnologias sociais: experiências e contribuições para uma agricultura familiar sustentável” apresentou algumas práticas bem sucedidas para o setor no estado. A coordenadora do Instituto Tupinambá, Maria Ivoneide Vale, falou sobre a experiência do Banco Comunitário Tupinambá, implantado em Mosqueiro e que vem transformando vidas por meio da economia solidária. O interior se fez representado pela Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares dos Caetés, que abordou a forma de organização da agricultura na região bragantina.
Inclusão Digital – Já o seminário sobre Políticas Públicas de Inclusão e Cultura Digital, contou com a participação do coordenador geral de formação da Secretaria de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações (MinC), Diego Aguilera, que enfatizou a atenção especial que tem sido dada à Região Norte pelo MinC para conectá-la e promover tecnologias pensadas para a emancipação dos povos que aqui vivem. “Tecnologia sem compromisso social vem para aumentar o abismo, para segregar e não para resolver problemas”, ressaltou. “É com muita alegria que saudamos a realização de um Fórum como este. Esperamos conhecer ainda mais o que vem sendo desenvolvido em nível regional e colocamos o MinC à disposição para avançarmos juntos nesta discussão”, finalizou.
O presidente da Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), Theo Pires, explanou acerca dos avanços do Programa de Inclusão Digital Navegapará, e o titular da Secretaria de Estado de Comunicação, Daniel Nardim, apresentou as tecnologias estaduais para uma comunicação cidadã, anunciando a disponibilização de novos meios para que a população acompanhe as ações do Governo do Estado, como o aplicativo “Pará em Obras Mobile”.
O Seminário contou, também, com a participação do gerente de Projetos de Tecnologia da Informação da Coordenadoria Técnica Aplicada à Educação (Cetae), Paulo David, da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que traçou um panorama geral do uso de tecnologias na educação no Estado, apresentando, por exemplo, o projeto Geekie Games, uma plataforma online de aprendizado adaptativo que personaliza o ensino por meio de tecnologia para que cada aluno desenvolva habilidades específicas em áreas científicas cobradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Apenas fornecer equipamentos tecnológicos, definitivamente, não é inclusão digital. O essencial é ajudar o aluno a se posicionar na era digital que vivemos, e essa é a nossa meta”, afirmou.
Texto: Ana Carolina Pimenta e Igor de Souza – Ascom Secti