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Sectet e UFPA retomam atividades no Quilombo do Igarapé Preto, em Oeiras do Pará

24/01/2023

“Hospedagem familiar e estratégias de abordagens de produtos turísticos” e “Conduta profissional nas relações humanas” são os temas que marcam a retomada das atividades do projeto “Inovação Territorial para Jovens e Adultos Remanescentes do Quilombo do Igarapé Preto”, em Oeiras do Pará. As aulas tiveram início nesta segunda-feira (23).

O Projeto é uma parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), a Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará (CRF-UFPA), e a comunidade quilombola do Igarapé Preto.

O coordenador do projeto, Renato das Neves, afirma que o objetivo é promover o desenvolvimento humano e social da comunidade incentivando a utilização das práticas culturais agroalimentares dos moradores como um modelo de negócio inovador de base comunitária. A partir da formação das famílias, o projeto estimula a criação de uma rede de empreendedores interessados em escoar a produção agroalimentar do quilombo e promover o turismo sustentável.

As aulas são ministradas pelos professores Bernardino Silva Junior e Ágila Rodrigues, do eixo de Turismo Hospitalidade e Lazer no Instituto Federal do Pará (IFPA). Em “Hospedagem familiar e estratégias de abordagens de produtos turísticos” serão tratados assuntos como noções básicas para a condução dos visitantes no quilombo, infraestrutura necessária de recepção ao visitante, arrumação dos quartos, limpeza dos sanitários, entre outras áreas, além dos serviços e preços a serem disponibilizados aos usuários.

“Saber administrar estes cenários e entender a diferença entre os ambientes da hospedagem familiar e da hospedagem convencional são passos estratégicos e profissionais para receber bem o visitante e promover o desenvolvimento da cadeia do turismo sustentável e comunitário no quilombo”, alerta Ágila Rodrigues.

Já o professor Bernardino Silva Junior falará sobre as estratégias de abordagens de produtos turísticos e conduta profissional no universo de um território quilombola, mostrando que a formação de guias e condutores, por meio de capacitação, é um grande avanço para fortalecer o turismo comunitário, que está respaldado no Plano Nacional do Turismo.

“Este profissional, além de informar e conduzir o visitante para os atrativos locais, é o mediador das relações humanas no quilombo e o agente responsável pela valorização da cultura, respeitador da identidade local, preservador do meio ambiente, fortalecedor da geração de emprego e renda e construtor da cidadania no território”, ressalta.

A vice-coordenadora do projeto, Kelly Alvino,  explica que o processo de formação funciona em três núcleos. O primeiro é “lnclusão produtiva e desenvolvimento local”, em que se promove a capacitação por meio de cursos ministrados pelas equipes sobre empreendedorismo sustentável e tradicional. No segundo, “lnfraestrutura e qualidade de vida”, são ministrados os conhecimentos para projetar melhorias na infraestrutura física de moradias do quilombo para que a comunidade tenha acesso a novos saberes construtivos e preserve as suas tradições arquitetônicas e culturais. O terceiro, “Tecnologia e lnformação”, desenvolve aplicativos e um site para dar visibilidade às potencialidades culturais, turísticas e ambientais do território.

“Estamos construindo e sistematizando, em conjunto com a comunidade, uma metodologia de trabalho que estimula o intercâmbio de saberes multiculturais e o empoderamento dos moradores, além de promover a geração de emprego”, reafirma Kelly.

Texto: Jeniffer Galvão (Ascom/Sectet) com informações de Kid Reis (Ascom/CRF-UFPA)

Fotos: CRF-UFPA