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Ampla programação marca encerramento do II Fórum Paraense de Tecnologias Sociais

O que temas tão diversificados, como saneamento básico, produção de hortaliças, inclusão digital e economia solidária podem ter em comum? Na verdade, estes e vários outros assuntos foram debatidos no II Fórum Paraense de Tecnologias Sociais, realizado pela Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti), nos dias 25 e 26 de novembro, em parceria com a Rede Paraense de Tecnologias Sociais (RTS/PA). Mais de 600 pessoas participaram do evento, prestigiando oficinas, mostras e palestras

 

O “Seminário Tratamento de Esgotamento Sanitário em Áreas Rurais da Amazônia” foi um dos destaques do segundo dia do evento. Por meio de cinco palestras, os participantes puderam conhecer tecnologias viáveis e políticas voltadas ao tratamento de esgoto sanitário em áreas rurais da Amazônia.

 
O professor da UFPA, André Coelho, apresentou o “Reator UASB Unifamiliar” e as vantagens de se adotar este sistema de tratamento de esgoto em áreas rurais. O diácono Miguel de Amorim Pinto, presidente da Cáritas Belém, apresentou o “Sanitário Ecológico Seco”. O técnico da Funasa/Amazonas, Rainier Pedraça de Azevedo, apresentou a tecnologia desenvolvida por eles para tratar o esgoto utilizando raízes de plantas aquáticas como filtro em áreas alagáveis da Amazônia. Já o professor da UFPA, Neyson Martins Mendonça, apresentou os resultados da unidade piloto de reuso do esgoto tratado e da usina piloto de desidratação e higienização do lodo. “Podemos tratar o esgoto de forma sustentável e econômica, não precisamos jogar resíduos no rio. Podemos usar efluentes tratados em produção de mudas, cultivo de flores ornamentais e hidroponia, por exemplo”, afirmou o professor.
 
 
O gerente de Regulação da Agência Reguladora Municipal de Água e Esgoto (Amae), Baudélio Marçal Filho, apresentou o Plano de Esgotamento Sanitário da Área Rural de Belém. Segundo ele, serão instalados, no ano que vem, 200 sistemas de captação de água das chuvas, distribuídos nas 39 ilhas de Belém. “Aproveitamos eventos, como este, para mostrar que as tecnologias sociais são viáveis para resolver os problemas ligados ao saneamento e, por isso, as incorporamos no Plano”.
 
 
Agricultura Familiar e Inclusão Digital – O Fórum deu continuidade ao Seminário sobre Políticas Públicas de Inclusão e Cultura digital com a mesa redonda “Visão da sociedade civil e das universidades sobre as políticas de inclusão e cultura digital”. O evento contou com a participação do professor da UFPA, Eduardo Cerqueira, da professora da Uepa, Ana Irene Alves de Oliveira, da integrante da ONG Inclusão TECX, Sara da Silva Suliman, e do integrante da ONG Saúde Alegria de Santarém, Paulo Lima.
 
 
O professor Eduardo Cerqueira exemplificou ferramentas de TIC para a inclusão digital, mostrando, por exemplo, o “Codecademy”, voltado para o aprendizado facilitado da linguagem computacional. A professora Ana de Oliveira debateu acerca de tecnologias assistivas e sociais de inclusão de pessoas com deficiência visual, auditiva e motora. “A Uepa vem trabalhando em parceria com diversas instituições locais e fora do Estado para criar o Centro Estadual Integrado de Referência em Tecnologia Assistiva, o qual agregará diversos projetos para favorecer a funcionalidade e autonomia de pessoas com deficiências, utilizando diversos métodos que envolvem, inclusive, jogos de videogames que usam sensores de movimento para estimular a locomoção de pessoas com deficiência motora”, exemplificou a professora.
 
Conforme o previsto, foi constituído durante o Fórum o GT de Agricultura Familiar e Tecnologias Sociais, cujo objetivo é debater e traçar estratégias para impulsionar a implementação de políticas públicas para o setor. Serão definidas metas que contemplem eixos focados na TS para agroecologia e produção de alimentos orgânicos; TS para comunidade tradicionais; e TS para o desenvolvimento rural sustentável.
 
“A característica mais importante do evento é o fato dele estimular o cruzamento entre os conhecimentos das comunidades locais, das empresas e das instituições de ensino e pesquisa para o melhor desenvolvimento da nossa sociedade. Fiquei satisfeito em ver essa perspectiva de interação e gostaria de segui-la na minha profissão”, afirmou o estudante do curso de Gestão Ambiental, Flávio Maurício, que participou das atividades do Fórum.
 
Ao término do evento, o titular da Diretoria de Tecnologias Sociais da Secti, Evandro Ladislau, traçou uma avaliação sobre os resultados do Fórum, resumiu as ações da RTS e comandou a adesão dos interessados em compor os grupos de trabalho da Rede. “Existe uma conexão direta entre os temas trabalhados neste Fórum, os quais podem interagir sistematicamente para a promoção do desenvolvimento local, principalmente nas ilhas do Estado, que carecem de políticas públicas voltadas para a solução dos problemas vivenciados por elas. São essas comunidades o foco principal das ações da RTS, e queremos aproximar delas as experiências e propostas de soluções apresentadas aqui”, finalizou o diretor.
 
Para conhecer mais sobre as ações desenvolvidas pela RTS, acesse o site oficial da Rede: www.rts.pa.gov.br.
 
Texto: Ana Carolina Pimenta e Igor de Souza – Ascom Secti