Busca

Notícias

conteúdo principal

Menssagem de erro

The page style have not been saved, because your browser do not accept cookies.

Jornalistas e estudantes prestigiam evento sobre jornalismo científico

“É possível comunicar ciência ao cidadão comum”. Essas foram as palavras do jornalista Wilson da Costa Bueno que embalaram as discussões do I Seminário Estadual de Jornalismo Científico. O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), procurou discutir as estratégias e perspectivas da divulgação da ciência nos meios de comunicação de massa do Estado.

 

No início do seminário, o titular da Secti, Alex Fiúza de Mello, e o diretor científico da Fundação Amazônia Paraense (antiga Fapespa), Moacir Macamira, assinaram um termo de cooperação técnica e financeira que prevê a promoção do Prêmio Paraense de Jornalismo Científico e do Prêmio Paraense Destaque Científico, cujos editais serão lançados em setembro.

 

Wilson Bueno, primeiro doutor em Jornalismo Científico do Brasil, levantou questões polêmicas e esclarecedoras sobre as tendências e os desafios do segmento. Para o jornalista, a maioria das pessoas pode não fazer parte do meio cientifico, mas todos têm uma relação com a ciência, sejam a dona de casa, o advogado ou os movimentos sociais. “Todos podem falar e se interessar sobre ciência. Isso não precisa acontecer somente nos jornais ou revistas científicas. Também se pode divulgar ciência na literatura de cordel, peças de teatro e música, entre muitos outros meios”, ressaltou.

 

O papel do profissional de jornalismo e a relação com a comunidade científica também foram debatidos durante o evento. Wilson Bueno afirmou que os cientistas pouco se dedicam à divulgação cientifica e que essa responsabilidade não é apenas do jornalista. Para ele, essa relação tem que ser de respeito, e os jornalistas não precisam ser reféns das fontes especializadas.

 

A jornalista do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), Jimena Felipe Beltrão, também participou do seminário e falou sobre as experiências e perspectivas do jornalismo científico na Amazônia, sobretudo no Pará. Ela também propôs à Secti e às instituições de ensino e ciência e tecnologia a darem continuidade e consolidarem o Fórum Estadual de Comunicadores de Ciência, criando uma agencia de notícias para dar visibilidade à produção jornalística científica da Amazônia.

 

O seminário foi finalizado por um debate mediado pela jornalista e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Rosaly Brito, com a participação dos jornalistas Gerson Nogueira (Diário do Pará) e Felipe Melo (Revista Amazônia Viva/ O Liberal). Durante o debate, o público fez diversos questionamentos sobre a prática jornalística e a importância dada aos conteúdos sobre ciência que chegam às redações.

 

Uma das questões controversas foi a discussão em torno da existência de editorias especificas sobre ciência, tecnologia e inovação nos jornais. Para Wilson Bueno e os demais presentes na mesa, não se deve segregar ciência e tecnologia, pois isso afasta o leitor. A ideia é que essas áreas estejam presentes em todos cadernos, já que elas permeiam todos os setores da sociedade, entre política, meio ambiente, economia e até polícia.

 

Os editores dos jornais locais falaram das dificuldades de se fazer jornalismo científico nas redações. A carência de profissionais com habilidade em escrever sobre ciência de maneira que os textos sejam atraentes, além do pouco tempo para se dedicar a uma pauta sobre ciência e a má remuneração da categoria jornalística, foram citados como os principais problemas enfrentados pelo jornalismo paraense.

 

Raphael Freire - Ascom/Secti

 

Foto: Alessandra Serrão/Ag. Pará