Estudos marcam novas etapas de projeto no Quilombo do Igarapé Preto

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet) e a Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará (CRF-UFPA) realizam, entre os dias 29 e 31 de março, mais uma visita técnica à Comunidade Quilombola do Igarapé Preto para dar continuidade ao Projeto “Inovação Territorial para Jovens e Adultos” deste território, localizado em Oeiras do Pará.
O objetivo da visita é realizar entrevistas individuais com um grupo de moradores de vários segmentos sociais e culturais da comunidade para aprofundar o conhecimento e o sentimento de pertencimento histórico ao quilombo, além de dar continuidade aos estudos sobre a realidade socioambiental local. As atividades ocorrerão nas residências das famílias, na Escola Municipal Zumbi dos Palmares e na sede da Associação dos Remanescentes de Quilombo do Igarapé Preto e Baixinha.

Para a assistente social e mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da UFPA, Maria do Carmo Silva, responsável pelo levantamento dos estudos sociais e culturais, os dados do grupo integrarão as informações já coletadas pelo Projeto junto à comunidade sobre o perfil econômico, cultural, fundiário, ambiental e turístico do território na região do Baixo Tocantins.
Tais informações, segundo ela, coletadas pela oralidade presencial serão integradas aos dados que estão em sistematização pelas equipes interdisciplinares da CRF-UFPA. “Posteriormente, este estudo social participativo que faremos nesta viagem, será apresentado para a validação da comunidade quando ela poderá resgatar a sua memória histórica afrodescendente ou perceber como enxerga a sua identidade social e cultural no quilombo atualmente”, sinaliza.
Por sua vez, o professor e pesquisador do Instituto de Tecnologia da UFPA (ITEC-UFPA) e coordenador da parceria com o Governo do Pará, Renato das Neves, informa que os estudos sobre a qualidade da água serão realizados pelas equipes do Projeto e do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade (ICB-UFPA), em uma próxima visita, uma vez que este recurso natural é determinante para a saúde do ser humano, para o preparo de alimentos, higiene e limpeza, além do lazer nos igarapés do quilombo.
Durante as atividades no território serão debatidas, ainda, segundo a vice-coordenadora do Projeto, Kelly Alvino, as duas últimas capacitações voltadas para as temáticas relacionadas à moda e à gastronomia, assim como iniciará o planejamento da realização de uma feira de produtos envolvendo a comunidade, as mulheres empreendedoras, educadores sociais, gestores do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), da Sectet e da Secretaria de Turismo (Setur), além de representantes da UFPA.
Esta culminância, segundo ela, promove o intercâmbio de conhecimentos e saberes entre as instituições federal e estadual e a comunidade. Além disso, avança mais uma etapa do Projeto, fortalece o desenvolvimento humano e social equitativo da comunidade e consolida uma metodologia de campo que pode ser aplicada em outras comunidades quilombolas.
“Estas famílias desenvolvem as suas práticas culturais agroalimentares e têm a vocação para integrar uma rede de empreendedores interessados em escoar a produção agroalimentar local como um modelo de negócio inovador de base comunitária, fortalecendo a geração de emprego e renda, resgate dos seus saberes e da ancestralidade e da cidadania”, conclui.
Texto: Kid Reis (Ascom CRF-UFPA)
Fotos: Arquivo CRF-UFPA e Lucas Nascimento







