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Seminário sobre Indicação Geográfica fortalece e promove a gastronomia paraense

28/05/2016

“Quando a gente fala em gastronomia, nós estamos falando de excelência. E a Indicação Geográfica é fundamental para isso. São produtos certificados e com procedência, que tem uma cultura envolvida. Então as comunidades precisam ter essa informação”. Foi dessa forma que a diretora do Instituto Paulo Martins, Joana Martins, resumiu a importância do Seminário de Indicação Geográfica, que reuniu quase 80 participantes, nesta quarta-feira (25), no quarto piso do Shopping Boulevard. O encontro faz parte da programação da 14ª edição do festival gastronômico Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. “É uma necessidade do setor”, ratificou a filha do consagrado chef de cozinha paraense Paulo Martins, que deu vida ao festival.

Palestras e mesas redondas acerca do patrimônio gastronômico do Pará, do conceito e vantagens da Indicação Geográfica, além de discussões de casos de sucesso de produtos nacionais com o selo de Indicação Geográfica, compuseram a programação do evento realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), Secretaria de Estado de Turismo (Setur), Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Secretaria Municipal de Cultura e Desporto de Bragança (município do nordeste paraense).

De acordo com o advogado Alexandre Carvalho, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que abordou o tema “Indicação Geográfica: Conceitos e Desafios”, as IGs são instrumentos de competitividade e desenvolvimento econômico e social. Uma ferramenta coletiva de proteção e promoção comercial de produtos tradicionais vinculados a territórios. “O objetivo principal é propiciar ao consumidor informações verdadeiras sobre a origem e características de determinado produto ou serviço. É um mecanismo que visa dar garantia e proteção ao consumidor”, afirma.

Para o coordenador do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no Pará, Álvaro do Espírito Santo, “a indicação geográfica é uma estratégia importantíssima para a promoção da gastronomia paraense”. Ele apresentou o modelo português de confrarias, que é um fenômeno social oriundo da Idade Média, voltado para a defesa dos produtos e preservação da cozinha regional, como são os casos do queijo da Serra da Estrela e da Chanfana, um prato típico da culinária lusitana.

Com doutorado na Universidade de Coimbra, Álvaro ainda elencou os três aspectos que podem servir de referência para um futuro modelo paraense: o associativismo, a excelência do preparo (estrutura de produção), e a tradição, que é uma premissa básica do processo. Ele também citou o trabalho realizado pela Setur com a Escola de Gastronomia da Amazônia e do Governo do Estado, com a criação do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia.

Segundo o secretário de Estado de Turismo, Adenauer Góes, o seminário faz parte de tratativas para desenvolver uma política pública integradora, no sentido de fortalecer uma estratégia sobre a cultura gastronômica paraense, no contexto também da compreensão econômica dessa construção. “A natureza e a cultura são as principais matérias-primas do turismo, e a gastronomia é um elemento único dessa cultura. Esse é um processo que vai desde o campo, o cultivo do produtor rural, até o prato elaborado por um chef de cozinha, para atender não só o cidadão que habita a cidade, mas também aquele que nos visita, que é o turista”, explicou.

Texto e foto: Israel Pegado (Ascom Setur)