Secti lamenta falecimento do brilhante pesquisador Vicente Salles
É com grande pesar que a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) recebe a notícia do falecimento do pesquisador, antropólogo, historiador, folclorista e musicólogo Vicente Salles. Um dos mais destacados intelectuais paraenses, Vicente Salles construiu uma trajetória profissional marcada pelo incansável trabalho em preservar nossa memória cultural.
Em fevereiro deste ano, o pesquisador foi eleito para ser o homenageado da Mostra de Ciência e Cultura 2013, realizada pela Secti, em parceria com diversas instituições de ensino e pesquisa do Estado. A cada ano, a Mostra recebe o nome de uma personalidade da área científica ou educacional, com atuação de destaque no Pará. Nesta edição, Vicente foi o escolhido pelo seu importante legado para a pesquisa histórica e cultural paraense. “Sentimos bastante seu falecimento, mas permanece nosso compromisso em levar para o interior um pouco da produção científica do nosso estado e a responsabilidade de dar, ainda mais, visibilidade à vida e obra de Vicente Salles”, destaca a coordenadora de Difusão e Popularização da Ciência da Secti, Tatiana Amaral.
Vicente Salles foi um apaixonado por tudo o que dizia respeito à cultura popular, à riqueza musical, aos fatos históricos, ao povo e à literatura paraenses. Quando foi comunicado que seria o homenageado da Mostra, disse, com a habitual modéstia, não merecer tamanha homenagem, mas que o alegrava saber que seu nome foi eleito pela maioria da comunidade científica que compõe a comissão organizadora do projeto.
Vida e obra - Vicente Juarimbu Salles nasceu em Igarapé-Açu, município do nordeste do Pará, em 1931. O interesse por literatura, música e folclore começou bem cedo. Seus primeiros trabalhos foram publicados no jornal A Província do Pará. Em 1954, aos 23 anos, Vicente Salles começou sua peregrinação pelo interior do Pará, pesquisando a história das bandas de música e o carimbó.
Nesse mesmo ano, decidiu morar no Rio de Janeiro. Formou-se bacharel em Ciências Sociais pela antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua produção soma mais de 25 livros e 50 microedições, entre os quais estão títulos como "O negro no Pará", "O memorial da Cabanagem" e "Épocas do Teatro do Grão Pará". Seu acervo, doado ao Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), deu origem ao atual “Acervo Musical da Coleção Vicente Salles”.
O homenageado é membro da Academia Brasileira de Música; da Academia Nacional de Música; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e da Comissão Nacional do Folclore, entre outros órgãos e entidades. Já recebeu diversos prêmios, e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade da Amazônia (Unama), em 2002, e da UFPA, em 2011.







