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TerPaz leva projeto de empoderamento feminino à Cabanagem

08/03/2020

O projeto "Ela Pode", voltado à capacitação de mulheres, está oficialmente integrado ao programa Territórios pela Paz (TerPaz), do Governo do Estado. O projeto foi apresentado numa roda de conversa sobre violência psicológica e autonomia financeira, realizada na tarde deste sábado (7), na Escola Estadual José Valente, no bairro da Cabanagem, em Belém. A programação teve o apoio da Diretoria de Comunicação Popular e Comunitária (DCPC) da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). O Ela Pode é uma iniciativa do Instituto Rede Mulher Empreendedora, a maior rede de empreendedorismo feminino do Brasil, e está sendo desenvolvido no Pará pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet) com apoio da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp).

A forte chuva que caiu durante boa parte do dia não foi empecilho para quem quis logo garantir a participação no projeto. As duas coordenadoras do "Ela Pode", Jana Borghi e Helen Gonçalves, abriram o diálogo falando um pouco sobre suas próprias experiências, e abrindo espaço para que as participantes também falassem.

Uma delas foi a vendedora de comida Elza Costa, moradora do Parque Verde, e que há dez anos se tornou uma empreendedora para poder se sustentar. "Toda vez que fico sabendo desse tipo de atividade eu corro para participar, porque eu também ajudo outras mulheres a criarem seus próprios negócios. Conheci várias outras incríveis aqui, é muito importante esse momento de troca, em que a gente cria novas redes", elogiou. 

O projeto 'Ela Pode' é voltado para a construção da autonomia financeira de mulheres, lançado por intermédio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), por meio de chamada pública. Cerca de 2 mil mulheres serão capacitadas nos próximos meses dentro dos sete territórios de paz. O “Ela Pode” vai oferecer conteúdos que vão desde redes de relacionamento, inclusão digital até autonomia financeira, liderança, entre outros pontos voltados para o empreendedorismo feminino.

Inspiração - Um pequeno show de talentos no meio da programação abriu espaço para que os filhos das mulheres participantes da roda pudessem mostrar um pouco de suas habilidades musicais. "A gente foi muito bem recebida aqui, e escolhemos essas duas temáticas justamente para trocar experiências e mostrar que não somos detentoras do conhecimento. A gente quer que elas saibam que têm espaço para falar. E já vimos que teve filha, mãe e avó da mesma família que vieram se inscrever", comemorou Helen. No domingo (8), a roda de conversa chega ao bairro do Guamá, e as capacitações já terão início na segunda quinzena deste mês.

Ivanilda Vieira dirige a escola e afirma que a abertura do espaço para as discussões voltadas ao empoderamento feminino, reforçam inclusive a necessidade de valorização da figura materna como mulher também por parte dos alunos. "Quem é que acompanha todo o desenvolvimento dos filhos, dentro e fora da escola? É a mãe, e elas merecem ser reconhecidas por isso e por todo o valor que elas têm", reforçou.

Ainda pela parte da tarde, a jornalista e doutoranda Nathália Kahwage esteve à frente de uma outra roda de conversa, dessa vez sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho. "Acho que o empoderamento, o feminismo são questões que precisam estar presentes dos mais diferentes espaços, e não só de quem está perto de mim. É preciso sair da bolha e levar esse conhecimento a mulheres que estão à frente de comunidades, que por vezes passam por violências, para que conheçam, entendam e possam fazer algo sobre isso", avaliou.

A programação terminou com a fala da secretária de Estado de Cultura, Úrsula Vidal, sobre empoderamento feminino. “É preciso que nós, mulheres, fiquemos cada vez mais unidas, e possamos entender as nossas diferenças, seja de comportamento, seja de crenças. Nós queremos ocupar espaços, cargos e ter oportunidades, e só podemos fazer isso juntas e juntos!”, concluiu a secretária.

De acordo com a representante do TerPaz na Cabanagem, Marisa Lima, a ação deste sábado foi pensada para além dos serviços oferecidos. “Buscamos construir políticas públicas, criar um debate e capacitar cada uma das mulheres para que possamos construir um novo tempo nesse território”, discursou.

Presente - As atividades da Secom em meio às ações do TerPaz ocorrem nos sete bairros participantes do programa, e neste mês de março, por conta do Dia Internacional da Mulher, serão voltadas essencialmente ao empreendedorismo da mulher na periferia. Além da roda de conversa programada para esta segunda, dia 9, no Guamá, haverá ainda uma oficina de Jornalismo no bairro do Icuí, com a participação da jornalista Lorena Esteves. Há programada uma nova roda de conversas na Cabanagem no dia 16, acompanhada de uma oficina de marketing digital montada para mulheres. E entre os dias 23 e 27 de março, serão realizadas oficinas de fotografia e de produção de texto em Marituba.

Atendimento médico e cultura da paz - Os moradores do bairro da Cabanagem também receberam atendimento médico, encaminhamento para consultas, exames especializados, testes rápidos, vacinas, orientação com a Defensoria Pública e embelezamento. A ação foi organizada pelo programa Territórios Pela Paz (TerPaz).

ParaA dona de casa Maria de Jesus levou os três filhos para marcar exames e consultas para a família. “Cheguei bem cedo, mesmo com chuva e consegui tudo o que eu precisava, marquei consultas para os meus filhos, para mim, agora estou marcando uma avaliação com odontologista, é maravilhoso ter esses serviços mais próximos da gente”, disse.

Também foi realizada uma palestra e orientação com a defensora pública, Cassandra Gomes, do Núcleo de Atendimento Especializado a Criança e Adolescente (NAECA). “O objetivo dessa conversa é sensibilizar e fortalecer a rede de proteção das crianças e adolescentes, por isso, trabalhamos com a cultura de paz, considerada uma questão de saúde pela Organização Mundial da Saúde, buscamos incentivar o diálogo para solução de conflitos pela não violência destacando o respeito à diversidade”, informou a defensora.

Texto: Carol Menezes (Secom), com informações de Paulo Garcia (Seac) e Gabriel Marques (Secult)